Mais que uma data simbólica na luta contra o preconceito, o dia da consciência negra é um grito por igualdade.
“Hoje muito se fala em prol do negro e pouco se faz. Pessoas com cargos eletivos, na maioria das vezes, levantam a bandeira do negro como promoção da própria imagem ao invés de se preocuparem realmente com a causa”. João Alfredo de Oliveira, co-fundador do Conselho Afro de São José do Rio Preto.
Celebrado todo dia 20 de novembro (data da morte de Zumbi dos Palmares, líder da resistência contra a escravidão no Brasil), o dia da consciência negra tem o objetivo de despertar nas pessoas uma reflexão sobre a inclusão do homem negro na sociedade. No Brasil, o preconceito racial ainda é um tema polêmico. Mas afinal, de que serve o dia da consciência negra?
Para a Auxiliar Administrativa, Jacqueline Maria David dos Santos, de 33 anos, da mesma maneira que deveria ser outras datas comemorativas, o dia da consciência negra não deveria ser lembrado apenas em uma data em especial, o respeito com nossos semelhantes deve ser normal em todos os dias do ano.
Desde o início do ano, ela coordena um projeto da pastoral afro na paróquia São Sebastião no bairro Eldorado. “O objetivo do projeto é despertar na comunidade o interesse pela cultura e pelos costumes africanos. Já que a África é o berço da nossa cultura” afirma. Jacqueline ressalta que, a pastoral afro, não visa atender somente interesses da comunidade negra. “Todas as pessoas independentes de raça, são bom vindos a conhecer um pouco da cultura do brasileiro” diz ela.
A Secretária do Conselho Afro de São José do Rio Preto, Cláudia Maria Francelina Alves, acredita que um modo de mudar a cultura das pessoas é iniciar a mudança desde crianças. É na escola que as crianças apreendem sobre história e cultura das civilizações antigas. É ali seu primeiro contato com as formas de discriminação das diferenças e depende do educador mostrar o melhor caminho para a interpretação dos pequenos aprendizes.
“Já existe uma lei que obriga todas as escolas do ensino fundamental a abordarem assuntos da civilização africana e da África, não falando apenas da escravidão ou da miséria, mas da rica cultura que esse povo trouxe ao nosso país; como culinária, folclore, músicas entre outros. Quando as crianças negras conhecerem essa riqueza, elas irão se valorizar mais e passarão a sentir orgulho; já as crianças brancas começarão a ver o negro de outro modo, não apenas do sofrimento e da pobreza. Isso fará uma grande diferença futuramente”.
Para João Alfredo, as leis anti-rascistas não são o melhor caminho para acabar com a discriminação existente no Brasil. “As leis são uma forma de mascarar o preconceito existente. No Brasil, há o que chamamos de racismo ‘velado’, é o pior, é aquele que todos sabem que existe, mas que ninguém admite. Leis que punem pessoas que praticam o racismo são viáveis, mas que impõem ao cidadão o que ele deve ou não sentir, nada mais é do que disseminar uma falsa ideia e mascarar a realidade.” Afirma.
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