domingo, 22 de janeiro de 2012

Os virais e a imprensa brasileira

Como já disse o jornalista Carlos Nascimento: “Nós já fomos mais espertos”. Pois é, a frase exclamada em plena abertura do telejornal do SBT, assim como o motivo pelo qual ela teve que ser pronunciada, se tornou um viral nas redes sociais do Brasil. Os virais, todos devem saber, são vídeos, fotos, frases, que de uma hora para outra, ganham proporções continentais. Assim foi com o vídeo da formiguinha, do pintinho piu, entre outros. Afinal, o que há de mal com os virais, que ganham principalmente as redes sociais e que de um dia para o outro alcançam milhares de pessoas? Eu me atrevo a responder que: Nada! Não há nada de errado quando vemos um vídeo de um bebe rindo na internet porque o pai rasga uma folha de papel. O problema é que o que deveria ficar somente nas redes sociais, está ganhando espaço na mídia, que antes era reservada para assuntos um tanto mais importantes, ou ao menos deveria ser.

O que faz com que um assunto seja classificado como de interesse público?

O resumo da tese de doutorado da jornalista Delci Maria de Mattos Vidal intitulado como: Imprensa, jornalismo e interesse público: perspectivas de renovação; diz que as informações veiculadas pela imprensa são indispensáveis para auxiliar a construção social da realidade e promover o desenvolvimento humano e social dos cidadãos. Portanto, assuntos de interesse público podem ser aqueles que afetam diretamente e indiretamente na vida das pessoas. Isso nos leva a outro questionamento. Será que os atuais acontecimentos, que dominaram nas redes sociais no início de 2012, devem ter espaço na grande imprensa, que possui por dever manter o cidadão bem informado? Certas coisas não deviam sair da internet. Não há como negar o fato, que isso chegou até a ser engraçado ou interessante, pela forma que desenrolou, mas podia ter ficado por ai. Mais uma vez, o Brasil não pode perder o foco. Assuntos como estes já são exaustivamente abordados em programas de fofocas, que possuem seu público segmentado. Tornar assuntos como o escândalo do Big Brother e a viagem da Luiza como de interesse público, é questionar nossa inteligência.

Não está satisfeito, desligue a TV.

Temos o livre arbítrio de escolher o que nos agrada e qual o tipo de informação que vamos consumir. Mas isso não tira o dever da imprensa de fazer o melhor para nós. Ainda sou defensor de que poucos, mas bons jornalistas se importam com o rumo do Brasil. E por isso encaram a profissão com seriedade. Como Carlos Nascimento, as vezes é bom dar uma de Capitão Nascimento, para por a imprensa brasileira de volta no lugar.