quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pessoas estão cada vez mais dependentes de celular

Pesquisas revelam que grande parte das pessoas não conseguem ficar longe de seus telefones móveis. 

“Sou totalmente dependente do telefone celular, carrego para todos os lados. Quando fico sem, é como se faltasse uma parte do meu corpo.” Essa é a definição do funcionário público e universitário Rafael Fabrício Brumato, de 20 anos, sobre a importância do celular no seu dia-a-dia. Desde a invenção no século passado até sua evolução nos dias de hoje, os celulares vem ganhando a cada dia, mais espaço em nossas vidas e se tornaram algo indispensável para a companhia de qualquer um. Atualmente eles possuem uma função essencial: facilitar a comunicação.

Celulares fazem cada vez mais parte do cotidiano
Sabe-se que os seres humanos se comunicam desde os tempos primitivos. Sejam através de imagens, símbolos, gestos ou palavras, sempre existiu a necessidade de manter uma relação/comunicação com as pessoas que vivem ao nosso redor. Com o decorrer dos anos e com o avanço das tecnologias começaram a surgir mecanismos que facilitaram a troca de mensagens por meio da comunicação inter-pessoal. Em 1835 foi inventado o telegrafo. O primeiro aparelho produzido para transmitir mensagens por meio de código Morse. Já no ano de 1876 Alexander Graham Bell criou o primeiro telefone, equipamento utilizado para comunicação oral. O futuro era inevitável e perspectiva de ampliar a forma de comunicação não era um sonho distante.

Se comunicar de maneira rápida e fácil é um fator importante; mas fazer isso de qualquer lugar era impensável. Criado no ano de 1973, o primeiro telefone móvel revolucionou a modo de se comunicar com qualquer pessoa e de qualquer lugar. A febre foi instantânea. O que antes era apenas utilizado para fazer e receber ligações agora se tornou “faz tudo”. Hoje, os aparelhos celulares evoluíram se tornaram inteligentes, eles saem das lojas com as mais variadas funções, como: Bluetooth, MP3, aplicativos antes existentes apenas em computadores e muito mais. Agora eles não são utilizados somente para se comunicar com outras pessoas, o que fizeram deles objetos inseparáveis. 

Rafael teve seu primeiro telefone celular com 16 anos de idade, no começo ele dividia o aparelho com os pais, assim que começou a trabalhar, ele pode comprar seu próprio aparelho celular e a partir daí, ele não conseguiu mais se ver livre dele. “O meu telefone tem várias funções no meu dia-a-dia, além de fazer ligações e enviar torpedos eu uso ele para entrar nas redes sociais. Outras ferramentas como a câmera e o gravador de vídeo são indispensáveis.”

Mas o era para ser um utensílio utilizado ao nosso favor, vem se tornando algo com o qual devemos começar a nos preocupar. Foi realizada uma pesquisa com 50 universitários da faculdade Unilago em São José do Rio Preto interior de São Paulo,  para saber o quanto eles estão dependentes de seus telefones. 44% dos entrevistados assumiram que abandonam tudo o que estão fazendo para atender o celular. 68% admite que nunca deixam o celular desligado ou sem bateria. Os mesmo 68% confirmam que entram em pânico quando perdem o telefone ou quando acaba a carga da bateria. 60% confessam que tem a mania de tirar o celular do bolso ou da bolsa para ficar com ele nas mãos e apenas 31% assumiram que já interromperam um momento intimo para atender o celular.

Essa dependência se tornou uma preocupação para alguns psiquiatras. Especialistas apontam que uma nova doença surgiu em conseqüência ao avanço da tecnologia e da comunicação inter-pessoal. A Nomofobia, nome que surgiu do inglês No-mobile (Sem Celular), é o medo de ficar incomunicável. Segundo a psicóloga Anna Lúcia Spear King, da Universidade Federal do Rio de Janeiro a Nomofobia afeta uma boa parte da população, principalmente entre as pessoas que não conseguem se desconectar dos aparelhos. Quanto maior a facilidade de se comunicar com as pessoas, há mais necessidade de mantermos essa relação. Se por acaso isso for tirado de nós, pode nos causar desconforto. Os sintomas da Nomofobia podem ser comparados ao da síndrome do pânico, como ansiedade, desconforto e palpitações.

A jornalista Maria Luiza Simões, de 26 anos, assume que é totalmente dependente do telefone celular. Ela utiliza diariamente três aparelhos celulares, dois pessoais e um para o trabalho, e os carrega para todo o lugar. A jornalista admite que é uma das pessoas que possui Nomofobia - e que não se separa dos seus telefones nem para ir ao banheiro. “Fico ansiosa quando estou longe dos meus telefones, penso que alguma coisa importante pode acontecer e que alguém está tentando me ligar”. Ela ainda não tolera quando alguém não atende ao telefone ou não responde um torpedo; “Se eu tenho celular é para levar e atender em qualquer lugar, então não admito quando alguém não me atende ou não me retorna.”

Era de se esperar essa atitude para uma pessoa que possui um aparelho de celular desde os 14 anos de idade. Além de utilizar o telefone para fazer ligações, ela afirma que não consegui ficar um dia sem enviar torpedos e entrar nas redes sociais pelo telefone. Para ela essa dependência do celular não prejudica no seu comportamento, ao contrário ele auxilia no seu trabalho.

Já para o psicanalista, Renato Dias Martino as pessoas estão se tornando dependentes do celular, pois elas estão ao mesmo tempo dependentes da atenção de outras pessoas. “O aparelho serve para se comunicar com alguém, essa dependência se encontra nesse vínculo entre pessoas, e não da pessoa com o aparelho”, explica. As pessoas que possuem sintomas de Nomofobia, o psicólogo afirma reconhecer a dependência já é um bom sinal para que isso não se torne um problema. “A dependência revela uma forma primitiva de ligação com as pessoas,” o que é um sentimento parecido que o bebe tem com a sua mãe.

Mas ainda há exceções. Para o bancário Ronaldo Zanqueta, de 27 anos, as pessoas superestimam o celular, quando sua utilidade principal é facilitar a comunicação. “As pessoas vêem o celular como objeto da moda. Elas sempre compram os últimos lançamentos, e usam o telefone como forma de status. E essa não é a sua utilidade.”

Ele ainda confessa que possui um celular, mas que resistiu muito antes de comprá-lo. “Eu comprei meu celular já com 27 anos de idade, porque as pessoas tentavam falar comigo e não conseguiam, também pela necessidade de facilitar a comunicação”. Ele utiliza o celular para fazer e receber ligações. Para ele fora isso não há utilidade alguma. Ronaldo não se vê dependente do celular. “Eu saio de casa sem ele, na hora de almoçar eu o deixo no trabalho, não fico grudado no celular 24 horas por dia.”

Temos então a conclusão de que ele facilita nossa vida, mas que também altera nossa personalidade. Porém não sabemos ao certo se é bom ou ruim. O que podemos afirmar é que com o surgimento de novas tecnologias, estamos sofrendo uma transformação drástica na nossa maneira de agir e pensar. Devemos aprender a conviver com elas e não viver para elas.